sexta-feira, 19 de maio de 2017

Zodíaco (2007)

Entre cartuns e investigações


Zodíaco é um filme dirigido por David Fincher, conceituado diretor responsável por clássicos do cinema como "Clube da Luta" e "Seven - Os Sete Crimes Capitais". Baseado no "best-seller" de Robert Graysmith (interpreta por Jake Gyllenhaal), a trama conta a história de um dos assassinos seriais mais famosos que perduram o imaginário popular até os dias de hoje, tendo em vista que ele nunca foi pego pelas autoridades.


Tudo começou em 1969, o assassino mandava cartas contendo anagramas para o "San Francisco Chronicle", jornal onde Graysmith trabalhava como cartunista, o interesse pelo caso foi tanto que ele começou uma investigação particular junto com Paul Avery (Robert Downey Jr.), que fazia parte do time de jornalistas da redação. O mais fantástico sobre a história de Robert é que ele não só escreveu, mas também viveu todo o ocorrido, chegando a receber até supostas ligações do próprio Zodíaco em sua residência, indo atrás de suspeitos, desenvolvendo os anagramas e colhendo informações para contribuir com o caso. O filme de Fincher é detalhista, tendo em vista que equipamentos jornalísticos da época são evidenciados, a redação se torna um verdadeiro campo quando a polícia precisa da contribuição imediata dos meios de comunicação para avançarem na investigação. O Inspetor Dave Toschi (Mark Ruffalo), é o responsável pelo caso e é contactado por Graysmith, a investigação é complexa tendo em vista que causa o maior alarde entre a população.


Interessante notar que Fincher faz questão de expor os meios de comunicação no filme, recortes de jornais, televisões antigas, gravadores, revistas e programas de rádio são evidenciados em um tempo que não se tinha internet. Em um quadro de opiniões na rádio local uma ouvinte fala que "não deveriam publicar nada que o Zodíaco escreve, só estão publicando para vender mais jornais." Eis uma das grandes questões jornalísticas em evidência no roteiro da película: Divulgar ou omitir? Quando essa é a questão, muitas pessoas se dividem, o radialista rebate a afirmação da ouvinte dizendo que " o Zodíaco exigiu que publicassem as cartas, ou mataria mais gente..." onde ela afirma que "ele mataria de qualquer jeito".



Outro fato é que David Fincher, o roteirista James Vanderbilt e o produtor Brad Fischer passaram 18 meses conduzindo sua própria investigação para produzirem o longa. A trilha sonora nos situa e transporta para a sonoridade dos anos 60 e 70 com muita facilidade, outro trabalho muito bem feito, a fotografia é soturna (Harris Savides, também responsável por "Seven"), digna de um filme com viés investigativo. A produção não foi filmada inteiramente por meios digitais, câmeras de filme tradicionais de alta velocidade foram usadas para as sequências de assassinatos em câmera lenta. O cineasta faz jus a essa história que é tão cheia de detalhes minuciosos, "Zodíaco" é um filme para ver e rever várias vezes, é uma produção envolta em papel de jornal, seguido por um laço de filme analógico banhado de sangue! "Zodíaco" nos impressiona com os seus anagramas, vamos decifrá-los?


"O homem é o animal mais perigoso de todos..."


O livro de Robert Graysmith não é difícil de achar, para quem quer se aprofundar na história vale muito a pena! Abaixo a trilha sonora completa do filme!


Até a próxima!



terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevista com o vampiro apresenta: Fievel Flávio

Fievel Flávio é um artista marcante, daqueles que te fazem reconhecer suas ilustrações onde quer que estejam, natural de Itapororoca no interior da paraíba ele veio morar pela primeira vez em João Pessoa no ano de 2007 mas logo depois acabou voltando para a sua cidade natal, e só em 2013 se estabeleceu na capital. De olhares penetrantes, de dialetos populares e entre descaradas aquarelas, Flávil nos revela mais do que se passa em sua mente e nos situa no seu processo de criação que já estava enraizado desde a sua infância:


LC - Flávio, quando foi que você começou a se interessar pela ilustração?
FF - Comecei a desenhar ainda na infância, era constante o exercício de rabiscar papel, e
fazia porque achava divertido. Conforme fui crescendo, cultivava como hobby, mas não
havia muito estímulo, nem orientação. Penso que na época de escola, poderia ter sido
melhor direcionado a trabalhar essa habilidade artística, mas não aconteceu. Talvez por
isso, mais tarde na adolescência, eu tenha deixado de lado essa aptidão, que hoje
percebo como vocação. Alguns anos depois, eu ingressei no curso de Design de Produto
da UFPB, e lá consegui me reconectar, ainda que pouco, com o prazer de desenhar.
Haviam oportunidades diferentes de conhecer novos materiais e técnicas, mas eu não
conseguia ir muito além de atender as tarefas que as disciplinas de desenho
propunham, era apenas técnico, além disso eu me impunha contra a ideia de me aceitar
como artista, por medo de fracassar. Na metade do curso, meu desinteresse com a área
industrial do design gritava de frustração, e acabei por ir cursar Design Gráfico no IFPB,
onde foi possível me aproximar mais do que me instigava, e as disciplinas que permitiam
um envolvimento com arte eram mais frequentes. Mas foi no tédio das aulas teóricas,
que consegui destravar essa minha satisfação em criar arte. Lembro com clareza de
pegar nanquim e papel e parir uma ilustração alí mesmo no meio de uma aula, apenas
com a pretensão de fazer o tempo passar mais rápido, de lá pra cá não parei mais. Havia
uma maneira de exteriorizar minhas ideias e eu iria tirar proveito. Então, apesar dessa
trajetória, cambaleante, é a partir desse episódio em específico, que surgiu meu
interesse e aceitação por ser ilustrador.


LC - Você geralmente introduz frases nas ilustras, cria personagens, e se auto-retrata
neles. O quão a cultura regional tem influência no seu trabalho?
FF - Frequentemente tento retratar algumas lembranças da minha infância, coisas que
cativo na memória. Como cresci no interior, onde as características regionais são bem
fortes, automaticamente isso é trazido pro meu trabalho, a partir dessa tentativa de
evocar nostalgia.


LC - Quais são os principais materiais que você usa para desenhar?
FF - Meus trabalhos são quase que unicamente manuais, então sempre uso papel, aquarela
e nanquim e raramente lápis de colorir.
LC - Qual a sensação de expor o seu trabalho e geralmente qual é a reação das pessoas?
FF - Eu gosto e tenho satisfação de expor meu trabalho. Lidar com as pessoas é interessante,
ver as reações, e as maneiras com que se conectam com os personagens, é a parte de
que mais gosto em mostrar as ilustrações.


LC - Além de criações próprias, você também ilustra personalidades que ganharam
visibilidade na internet como Inês Brasil e Mulher Pepita. Elas viram as suas ilustrações e
você recebeu feedback delas?
FF - Rsrsrs. A Mulher Pepita é a melhor, gostaria de ter feito um desenho mais elaborado
desse ícone, mas ela recebeu com muita atenção e me deu uma resposta muito
carinhosa. A caricatura da Inês Brasil, é uma arte que gosto muito tecnicamente. Ela
repostou no instagram e eu recebi reações positivas, mas muitas críticas também. Foi
interessante, no mínimo.
LC - Atualmente você está trabalhando em algum projeto? O que podemos esperar?
FF - Geralmente eu trabalho mais em conjuntos de ilustrações, que são mais soltas e
experimentais. No momento, tô trabalhando vagarosamente no meu TCC, onde o
produto final será um livro ilustrado, e sinto que será bem especial.



LC - Agora para fecharmos, uma pergunta padrão que eu sempre faço aos meus
entrevistados: Me diga uma música, um clipe, um filme e um livro que te inspiram na
hora de criar!
FF - Música: Azealia Banks - Along The Coast
Clipe: Grimes - Kill V. Maim
Filme: A Hora da Estrela
Livro: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares


Que explosão de cores e ideias! Quer saber mais sobre Fievel? Segue lá no insta:

@fievelflavio








sexta-feira, 3 de março de 2017

Logan (2017)

Entre garras e despedidas



Para Luseni Machado

Me lembro como se fosse hoje, o ano era 2000 e o primeiro filme dos X-Men estava sendo lançado, eu tinha apenas sete anos e insisti muito para que a minha avó me deixasse assisti-lo no cinema, e ainda bem que ela deixou, se não eu não estaria escrevendo essa resenha/ experiência com esses mutantes fantásticos hoje em dia, mas tudo isso também graças ao meu tio, que sempre tinha um gibi na mão e um baú preto enorme repleto das mais variadas maravilhas que eu e o meu irmão explorávamos na infância. Á partir desse dia, virei fã, na época minha mãe até comprou uma boneca da Tempestade (interpretada por Halle Berry) e eu vibrei com aquilo, aluguei o VHS (sim, nada era melhor do que a emoção de ir em uma videolocadora), recentemente até comprei o Blu-Ray, faço isso com os filmes que tem história e emoção.


Mas de todos os personagens da trama um me chamou mais atenção, um carcaju rabugento e briguento que fuma charutos e adora uma "pinga" no bar chamado Wolverine. Interpretado pelo ator Hugh Jackman, ele não é o típico herói, ele não é o típico mocinho, muito menos o vilão, ele é um enigma, enigma esse que vem sendo desvendado durante todos os filmes da franquia e só agora foi descoberto em "Logan". Ontem fui na estréia para fechar o clico que começou há 17 anos (tudo isso já???), fui de coração aberto e pronto para ver o melhor Wolverine de todos, e o achei! Desde o começo a divulgação do filme foi incomum (principalmente se tratando de super-heróis), o painel da Fox na CCXP 2016 era repleto de fotos preto e branco, mostrando as fotografias sóbrias e a proposta da película, fora o trailer que traz na trilha a música "Hurt" de Johnny Cash que já dava toda uma atmosfera emocional. O diretor do longa, James Mangold, disse que queria fazer um filme que honrasse a verdadeira essência do personagem, que mostrasse para o público o ser humano por traz do herói: "Queríamos deixar algumas questões. Para fazer um Logan diferente, e um tom diferente de um filme do Wolverine, sentimos que não dava para se apegar com todas as tradições estabelecidas nos filmes anteriores religiosamente, senão estaríamos presos em decisões tomadas antes de nós." A intenção principal não era agradar a todos, porém agradou e emocionou.
No cinema vi pessoas de todas as idades, até crianças, a sala estava lotada e todos se emocionaram principalmente nas cenas em que o Professor Xavier (Interpretado brilhantemente desde o primeiro filme pelo excelente Patrick Stewart) aparecia, a relação dele com Logan é de pai para filho. E por falar em laços, a raivosa atriz-mirim Dafne Keen que interpreta "X-23" é mais um destaque. A atmosfera do filme é apocalíptica, muito inspirado nos clássicos do faroeste americano. 


Já se passou muito tempo, "X-Men 2" (2003), "X-Men 3: O Confronto Final" (2006), "X-Men Origens: Wolverine" (2009), "X-Men: Primeira Classe" (2011) "Wolverine Imortal" (2013), "X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido" (2014), "X-Men: Apocalipse" (2016) e Logan se aposenta, o ator Hugh Jackman já disse que esse é o fechamento do ciclo, sua última vez na pele do carcaju, sua cartada final, Patrick Stewart também, e que bela cartada e trajetória os dois fizeram até aqui. Logan é sobre o medo, sobre confiança, sobre receio, sobre afeto e principalmente sobre a família e o amor que nos move e nunca nos faz desistir, mesmo que pareça que não existe mais esperança, ela está ali. Ao terminar o filme, as luzes se acenderam, eu me despedi de um velho amigo que me acompanhou na infância, adolescência e agora vida adulta, me emocionei e me emociono ainda mais escrevendo esse texto.


Wolverine, Logan, Hugh vocês fizeram parte da minha vida, vocês foram os super-heróis que me confortaram e me emocionaram, e viram como a família está entrelaçada nessa situação toda? Mãe, vó, irmão, tio obrigado por tudo. E mais uma vez obrigado Hugh Jackman, por ter fechado com chave de ouro a sua trajetória brilhante como o herói que você realmente é.


É muita história! Saca só o clipe da música "Hurt" do Johnny Cash, que faz parte da trilha do filme:




De emocionar! Logan está em cartaz em todos os cinemas do Brasil, em breve mais novidades! Aguardem.





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Resenha: Psicopata Americano (2000)

Entre jantares e assassinatos


"Psicoapata Americano" é um filme baseado no livro polêmico de Bret Easton Ellis lançado em 1991, estreou em abril de 2000 e é dirigido por Mary Harron. Patrick Bateman (Christian Bale) é um vaidoso egocêntrico de Wall Street, sempre presente nos restaurantes mais conceituais de Nova Iorque, nos clubes noturnos mais exclusivos e nos lugares mais caros da Big Apple, com muito dinheiro e uma carreira bem sucedida o que mais poderia querer?


O enredo do longa fala sobre o nosso eu, sobre esconder nossos verdadeiros rostos com máscaras e se adequar a uma sociedade quando na verdade temos muitas contas a acertar com os nossos monstros interiores, ressaltando que o questionamento de que o mal não tem aparência é bastante pertinente. O filme contém muitos detalhes e parece que cada vez que se assiste é uma sensação e ideia diferente sobre quem é ou o que pensa o personagem por mostrar que a maldade talvez não esteja só no gesto, mas também no pensamento. Entre momentos suaves e extremos a produção tem esse poder de nos acalmar para momentos de tensão, confusão, vaidade e principalmente curiosidade tornando-se sempre revelador, principalmente no final. Christian Bale está nada mais do que sensacional no filme, de interpretação impecável, o ator transparece toda a superficialidade, sede de sangue e ódio que o personagem pede, a película ainda contém as presenças ilustres de Willem Dafoe (como o detetive Donald Kimball), Chloë Sevigny (como a secretária Jean) e Jared Letto (como Paul Allen), imperdível! A diretora Mary Harron nos ambienta perfeitamente no mundo de Patrick, na elegância, cobiça e desejo pela alta gastronomia internacional, o personagem é marcante e tem (diga-se de passagem), muito bom gosto!
Patrick é ambicioso e detalhista, exibindo seu corte de cabelo impecável, suas roupas de grife, seu caríssimo apartamento na oitava avenida e seu ego entre seus amigos (que sempre almejam um jantar no restaurante mais cobiçado da cidade: O "Dorsia"), mas isso tudo está á mostra, e o que não está? O que Patrick esconde? Vale a pena descobrir! Psicopata Americano é um filme que mistura um belo rosbife ao ponto com molho de sangue e framboesas frescas.


É sangue!!! Vai encarar? Confere aqui o trailer do filme:


Em breve mais novidades no blog, aguardem!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Resenha: Ed Wood (1994)

Entre Dráculas e vampiras:


Sabe aqueles filmes que são pouco conhecidos mas quando você descobre parece que achou uma mina de ouro? Pois bem, com "Ed Wood" é assim, longa do diretor norte americano Tim Burton de 1994, o filme conta a história de Edward Davis Wood Jr., considerado o pior diretor de todos os tempos, com roteiro baseado no livro "Nightmare of Ecstasy", de Rudolph Grey. De fotografia (Stefan Czapsky) impecável e rodado completamente em preto e branco, o filme é cômico e dramático ao mesmo tempo, com suas cenas impagáveis mostrando Wood (Johnny Deep) em suas trapalhadas e esforços infinitos para conseguir produzir os seus longas, prova que a perseverança sempre providência resultados. Afinal, Quem nunca teve uma ideia e se sentiu incompreendido?
Na época de ouro dos filmes de Hollywood (o filme é ambientado nos anos 1950), Wood entra nesse motim para provar as pessoas que tem visão, que simplesmente quer contar histórias das coisas interessantes e peculiares para ele, sempre improvisando e com mil e uma cartas na mão, o filme mostra bem esse lado versátil do diretor que gostava de vestir peças femininas (principalmente um chalé de angorá) por debaixo das masculinas, mas que depois de um tempo resolveu usá-las sem se importar com a opinião alheia, produzindo até mesmo um filme sobre essa particularidade ("Glen or Glenda", estrelada por ele mesmo e sua ex-esposa).


Tim Burton prova que é um artista e realmente entende a alma do famigerado diretor, certamente se identificou com ele não só por ser fã de filmes B de terror, mas por também ter uma visão singular do mundo. Burton e Wood tem muito em comum, durante toda a película Wood é um cara inocente que simplesmente quer fazer a sua obra ser rodada, mas precisa de um astro para alavancar o processo e conseguir financiamento, até que encontra Bela Lugosi (Martin Landau), famoso ator Húngaro em decadência, mais notável por seu papel em "Drácula" (1931), esperando pela volta dos seus dias de glória. E o que dizer dos outros personagens extravagantes e desajustados que ajudam Wood durante toda a sua empreitada: Vampira (Lisa Marie Smith), o incrível Criswell (Jeffrey Jones), Bunny Breckinridge (Bill Murray), Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker). Johnny Deep está perfeito no papel, transparece a inocência, a garra e todo o humor que o personagem precisa para passar ao público esses sentimentos reais, até no quesito do olhar e expressão facial Deep da um show de interpretação!


"Ed Wood" é um saudosismo aos filmes antigos de terror, a época de ouro do show-business e aos programas soturnos que passaram naquela época, por se situar em Los Angeles, é ensolarado, as palmeiras gigantes entre os grandes estúdios acentuam ainda mais esse aspecto... Burton deu um tiro certeiro na trilha (Howard Shore) e nos figurinos (Colleen Atwood) também, mostrando o lado sensível e criativo dos seres extravagantes que nos habitam sem qualquer hipocrisia ou filtro, é a ideia "jogada na lata", é um sonho sendo realizado, é um homem dirigindo um filme com roupas femininas, e qual é o problema?. O filme pode não ser tão popular, mas certamente é um dos mais criativos do diretor. "Ed Wood" ambienta o espectador naquela época, é quase como uma abdução de uma nave espacial de um filme "trash" para todo aquele universo noir e cheio de personagens góticos, dramáticos e divertidos! E são poucos filmes que conseguem fazer isso tão bem.



O filme mais famoso feito por Ed Wood é "Plano 9 do espaço sideral" (1959) e pode ser visto completo aqui nesse link via YouTube:



Tim Burton fez um filme digno de aplausos! Em breve farei mais posts sobre a obra dele e muito mais, para novidades quentinhas saindo do forno curte aqui a página do blog no face!


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Entrevista com o vampiro apresenta: Márcio Ueoka (Monogamy Art)

Márcio Ueoka é natural de Curitiba, mas veio parar no lugar mais próximo da linha do Equador em 2011, cursando moda em João Pessoa. Em 2012 concluiu o curso, mas outra vertente da arte falou mais alto: A ilustração. Márcio é um ilustrador de pulso firme, materializa o que vem na mente sempre transitando entre o lápis e o pincel, descobri que essa é uma vontade que vem desde a infância do artista e agora potencializada com a sua namorada Talita Asami que juntos formaram a "Monogamy Art", essa mistura ficou ainda mais homogênea! Aliás ambos são descendentes de japoneses e se conheceram no Japão, depois de um hiato, reataram o contato aqui no Brasil. Vamos descobrir mais desse universo envolto por aquarelas e ideias que nos fazem transformar o que esta no papel (ou em qualquer outra plataforma) em realidade:



O céu estava confuso, não se sabia se ia chover ou se o sol ia prevalecer, ainda tinham muitas nuvens no céu quando eu e Márcio nos sentamos numa mesa próxima a piscina para batermos um papo numa tarde agradável de João Pessoa. Márcio estava com os cabelos longos e escuros soltos, óculos de armação marrom e preta, bermuda azul marinho e uma regata com uma estampa da banda "Led Zeppelin":

LC - Como a "Monogamy Art" começou? 
MU - Tudo começou no final de 2013 quando eu e Talita voltamos a nos falar e eu estava meio que sem saber o que ia fazer da vida, mas eu estava desenhando muita coisa e depois de ver alguns artistas como referência eu disse pra mim mesmo que era possível viver de arte, ela também já desenhava, então um inspirou o outro na vontade de fazer isso. Ela morava em São Paulo, então finalmente em 2014 ela se mudou pra cá, daí surgiu essa mistura, eu não usava cor nas minhas ilustrações e ela sim, disso surgiu a ideia de um projeto colaborativo entre nós dois.
LC - E porque esse nome? 
Na verdade, a nossa primeira ideia foi ilustrar animais monogâmicos e já faz uma alusão a nós dois como um casal e dupla de artistas.


LC - Que tipo de material vocês usam nas ilustrações?
MU - Nós usamos bastante materiais, mas geralmente eu foco mais no nanquim e ela na aquarela, ás vezes guache ou grafite... Isso quando estamos na plataforma do papel, mas existem inúmeras outras plataformas, já trabalhamos até com madeira inclusive... uma infinidade de materiais!


LC - Vocês resgatam personagens antigos que remetem a infância dos anos 90, como surgiu essa releitura e qual é a resposta do público que viveu essa década?
MU - Isso esta bem ligado ao início também, ao "porque que eu comecei a desenhar" sabe, quando eu era criança e via desenhos como "Dragon Ball Z", "Cavaleiros do Zodíaco", "Sakura Card Captors", e foi aí que eu comecei a desenhar algumas coisas, gostava de desenhar o Goku entre outros personagens. E agora com um traço bem definido eu pensei em resgatar esse assunto. E a galera responde muito bem, principalmente quando reconhecem personagens mais famosos como a releitura que nós fizemos de "As Meninas Superpoderosas" que foi bem divertido de fazer, fizemos alguns personagens de video-games também. É um tema que eles se identificam, até porque o público alvo dessas ilustrações é a galera que tem a idade da gente, que cresceu naquela época.
LC - Qual a influência da cultura japonesa no trabalho de vocês?
MU - É bem grande, na Talita é bem forte o mangá, pois o traço é mais delicado, os olhos são típicos desse estilo. Eu ultimamente estou buscando mais as pinturas antigas, as xilogravuras e pinturas mais tradicionais que eles usavam tentando uma adaptação para o meu traço, o "ukiyO-e" é um exemplo disso (movimento artístico), a maior referência é "A grande onda" (gravura tradicional). Também gostamos dos personagens clássicos da cultura japonesa, Gueixas e Samurais sempre estão presentes no nosso trabalho... O que nos inspirou a desenhar a princípio foram as animações japonesas. Ser artista esta muito ligado com o que você era na infância, toda criança pega um lápis pra desenhar, então automaticamente nós temos essa ligação com esses personagens que rondaram o nosso imaginário na infância.


LC - Além de tudo, vocês também fazem workshops, como funciona essa didática de ensinar ilustração?
MU - É interessante porque a gente sempre acha que não sabe de nada, e eu tenho essa vontade de trabalhar com ensino mesmo. Então Gabriela Maroja da escola de cursos "Casa Livre" conheceu o nosso trabalho e perguntou se nós não gostaríamos de ministrar algum curso, gostamos da ideia e aceitamos! Ensinamos o básico para pessoas que tem receio de aprender, ou se sentem desconfortáveis, até porque a objetivo do workshop é fazer com que a pessoa se sinta confortável com o próprio traço, não é para impressionar ninguém, mas sim para se surpreender com o próprio potencial que muitas vezes tava escondido ali!
LC - Vocês ensinam o que no workshop?
MU - Técnicas com nanquim e aquarela no geral.
LC - Como você enxerga a cena artística da cidade de João Pessoa?
MU - Eu vejo que tem bastante artista aqui, atuando em áreas distintas, ilustradores, designers, fotógrafos... Só que ás vezes eu não sei se é individualismo de cada, mas eu não vejo uma união! É foda porque todo mundo fala mas ninguém se mexe, eu não vejo motivação para os artistas daqui se juntarem para bolar algo maior e valorizar a arte... Mas vejo muito potencial!
LC - Mas você acha que esse individualismo artístico é cultural?
MU - Eu acho que é mais cultural sim, mas também tem aquela coisa de guardar "aquilo" só pra ele, no sentido de exclusividade, parece que é um medo de concorrência constante! Eu acho que mais válido seria ter cada vez mais união nesse aspecto, compartilhar mesmo.


LC - Agora me diga uma música, um clipe, um filme e um livro que te inspiram na hora de colocar a mão na massa (ou pincel haha)!
MU - Curto muito a música "Under Cover Of Darkness" do "The Strokes", os filmes do "Studio Ghibli" são sensacionais, fico impressionado com a quantidade de detalhes nos movimentos, mas se for pra escolher uma animação seria "Princesa Mononoke"! Leio muitos mangás, o meu favorito é "Samurai X" e tem dois clipes que eu gosto muito: "The 1975 - Robbers" e "Breaking The Habbit" do "Linkin Park"!

Saca só esse vídeo mostrando o processo criativo de uma série de adesivos idealizados pela Monogamy!


Valeu Márcio! Quer saber mais sobre a "Monogamy Art"?! Se liga e segue nas redes sociais também:
Insta - @monogamyarts







sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Devaneios em crônica apresenta: Homem-Aranha em "Teias Modificadas"

Ilustração: Paulo Moreira

Peter Parker era mais um cara na cidade de Nova Yorque tentando levantar uma grana extra no fim do mês, mas não era um cara normal, apesar de ter tudo pra ser, Parker era o amigão da vizinhança, o Homem-Aranha. Peter trabalhava como fotógrafo não fixo no jornal mais sem escrúpulos e sensacionalista da cidade, o Clarim Diário, cujo chefão era ninguém menos que  Jonah Jameson, para os mais íntimos "JJJ", que para o azar de Parker detestava o super-herói, mas que por sinal lucrava muito em cima dele.
Peter estava atrasado para a aula de química das 14:30hs, mas mesmo assim resolveu passar na redação para mostrar a Jameson as fotos que tinha feito, e com um sorriso bobo disse:
- "Senhor, trouxe mais fotos exclusivas do Aranha, dessas o senhor vai gostar!"
JJJ fumava um charuto e esticou a mão com aquela cara de Bulldog "Deixe-me ver as novas fotos daquele delinquente do Aranha!" Analisou com atenção, apertou os olhos e disse "Ah! Pago cinquenta paus por todas."
Peter sem acreditar falou -"Mas senhor, essas fotos são exclusivas, ninguém as tem!"
-"Pouco me importa, é pegar ou largar Parker..." Disse Jameson dando mais um trago no charuto. Jonah estava com pressa e Peter com pressa de pagar as suas contas atrasadas.
- "Tudo bem" Disse Peter perdendo mais uma luta verbal naquele lugar.
- "Muito bem!" afirmou JJJ -"Já vejo a manchete principal: "Aranha assalta mais um banco e população fica aterrorizada." Disse afastando as mãos lentamente e olhando para cima como se a manchete estivesse ali, bem na frente dos seus olhos.
-"Mas senhor!, ele estava impedindo este assalto, estava ajudando a popu..."
-"Pouco importa!" Interrompeu Jameson -" Esse Aranha é delinquente e eu sei!"
-"Mas senhor..." Tentou mais uma vez.
-"Agora chega Parker, vá embora e me deixe trabalhar, antes que eu pegue meu dinheiro de volta!"
Peter saiu aborrecido, mas por outro lado tinha conseguido o dinheiro. Ficou ali pensando que já estava atrasado para a aula de química e em como as notícias são distorcidas e manipuladas... De repente ouviu um barulho de sirenes de viaturas policiais e com um leve sorriso esboçado outro pensamento logo lhe ocorreu: O de que o espetacular Homem-Aranha tinha que fazer juz ao seu nome e ajudar a vizinhança mais uma vez.


Quer uma dica do que ler do nosso amigão aracnídeo? Anota aí ,"Homem-Aranha Azul" é uma obra escrita e desenhada pela dupla ganhadora do prêmio "Eisner" Tim Sale e Jeph Loeb, onde a dupla explora justamente esse lado mais humano do herói como um adolescente como qualquer outro tentando conquistar a garota do colégio! É de se emocionar, vale muito a pena, até o próximo post galera!